sexta-feira, 15 de maio de 2009

Obrigada inconsciente

Pela primeira vez em muito tempo um sonho despertou nela além da visão os outros sentidos. Olfato, tato, paladar, estes não costumam ser contemplados quando dormimos. A avalanche de imagens que a cercava já lhe era familiar. Contudo havia um rosto novo aquela noite.
Era alto, sorriso largo e contagiante, impossível não ser notado. Os olhares finalmente se cruzaram, balbuciou palavras que ela mesma não conseguiu compreender, ele retribuiu com outras palavras também inaudíveis. Sentiu o rubor tomar seu rosto como nunca havera sentido antes. "Deviam ser palavras elogiosas" pensou.
A névoa que lhe cobria a visão não diminuiu a intensidade das sensações que sentia, tudo era perfeito demais para não ser real. Sentiu o calor do corpo dele se aproximar sem medo algum, estava seguro do que fazia. Os lábios se tocaram.
Foi estranho, ela sentia tudo o que acontecia, não eram apenas imagens. Ele jogou sobre ela o peso de seu corpo, por um breve momento ela pensou que ele poderia estar ali mesmo, deitado sobre ela. Tentou acordar devagar, se fosse mesmo sonho não queria perde-lo no meio da noite, caso contrário... bom, se entregaria aos afetos, aos lábios carnudos e quentes, ao corpo pesado sobre si e a tudo mais que pudesse sentir.
Não passou de um sonho. O único peso que sentia sobre si era o do fino lençol sob a brisa do ventilador. Riu sozinha no escuro: "Obrigada inconsciente!" Fechou o olhos na esperança de encontrá-lo de novo, quem sabe um dia de olhos abertos

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