Pela primeira vez em muito tempo um sonho despertou nela além da visão os outros sentidos. Olfato, tato, paladar, estes não costumam ser contemplados quando dormimos. A avalanche de imagens que a cercava já lhe era familiar. Contudo havia um rosto novo aquela noite.
Era alto, sorriso largo e contagiante, impossível não ser notado. Os olhares finalmente se cruzaram, balbuciou palavras que ela mesma não conseguiu compreender, ele retribuiu com outras palavras também inaudíveis. Sentiu o rubor tomar seu rosto como nunca havera sentido antes. "Deviam ser palavras elogiosas" pensou.
A névoa que lhe cobria a visão não diminuiu a intensidade das sensações que sentia, tudo era perfeito demais para não ser real. Sentiu o calor do corpo dele se aproximar sem medo algum, estava seguro do que fazia. Os lábios se tocaram.
Foi estranho, ela sentia tudo o que acontecia, não eram apenas imagens. Ele jogou sobre ela o peso de seu corpo, por um breve momento ela pensou que ele poderia estar ali mesmo, deitado sobre ela. Tentou acordar devagar, se fosse mesmo sonho não queria perde-lo no meio da noite, caso contrário... bom, se entregaria aos afetos, aos lábios carnudos e quentes, ao corpo pesado sobre si e a tudo mais que pudesse sentir.
Não passou de um sonho. O único peso que sentia sobre si era o do fino lençol sob a brisa do ventilador. Riu sozinha no escuro: "Obrigada inconsciente!" Fechou o olhos na esperança de encontrá-lo de novo, quem sabe um dia de olhos abertos
sexta-feira, 15 de maio de 2009
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